Saúde em alta: número de academias surpreende no Vale do Iguaçu

Imagine uma cidade com cerca de 88 mil habitantes com 44 academias. Uma média exata de uma academia para cada 2 mil habitantes. Essa é a realidade do Vale do Iguaçu, onde União da Vitória e Porto União registram, oficialmente, esses dados. O Brasil é o segundo país do mundo onde os cidadãos mais frequentam esses espaços destinados à saúde física e, consequentemente, à saúde mental, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Seria esse um cenário momentâneo? As conhecidas “modas”, ou é algo definitivo?

Saúde em alta: número de academias surpreende no Vale do Iguaçu

Imagem ilustratia. Foto: Imagem de senivpetro no Freepik

Cuidar do corpo nunca esteve tão em evidência. “Consideramos que o cuidado com a saúde após a pandemia se tornou o principal alvo para todo mundo. Então não concordamos em ser algo ‘da moda’. Nosso público é muito diversificado em questão de idades, nós acompanhamos diariamente vários idosos a partir dos 60 anos, sempre levando o cuidado com a saúde em primeiro lugar”, afirma Ari Sausen, auxiliar administrativo da Academia New Way, no Centro de Porto União. “Nós temos uma média de 500 alunos ativos mensalmente, onde há vários tipos de corpos, diversidades e também indicações diferentes. Tem o pessoal que preza pela aparência física, o pessoal que escolhe cuidar da saúde, o atleta profissional que busca o aprimoramento no esporte”, completa.

Nos registros das prefeituras, União da Vitória conta, atualmente, com 33 academias, enquanto Porto União soma 11 academias. Elas estão espalhadas por diferentes bairros e regiões das duas cidades, cada uma com sua particularidade. Existem espaços menores até academias com grandes estruturas e aparelhagem bastante moderna. Os preços para quem frequenta também são bastante diversificados, dependendo da localização e do que é oferecido. O custo médio de uma mensalidade no Brasil é de R$ 110,00.

De acordo com o Panorama Setorial Fitness Brasil – 3ª Edição (2024), com dados compilados pela Fitness Brasil, CONFEF, INEP, Receita Federal e plataformas de inteligência de mercado como Cortex, 21% da população do país frequenta as academias. Trazendo para a nossa realidade, isso significaria que dos 88 mil habitantes do Vale do Iguaçu, cerca de 18.500 estariam matriculados nesses espaços.

As fontes ouvidas pela reportagem têm uma opinião em comum: o setor aqueceu de forma significativa após o período da pandemia. “Estamos há 23 anos no ramo e passamos por diversas ‘fases’. O pós pandemia teve um aumento de adultos, jovens e pessoas de meia-idade procurando estabelecer hábitos saudáveis. Naquele momento, o público de idosos e crianças deu uma diminuída, mas com o passar do tempo foram retornando. Hoje a vontade de permanecer em atividade é maior”, destaca Silvia Adriany Kochan Marcon, uma das proprietárias da Academia Corpo Mania, situada na região central de União da Vitória.

“Creio que fazer academia, como muitos dizem, será sempre algo da moda, mas hoje temos uma geração inteira que tornou esta moda um estilo de vida, sem baladas, menos bebida, mais corrida e até aniversários em estilo fitness. Acredito que sim, estamos vivendo um novo normal que veio para ficar. Hoje, quem não cuida da saúde, é visto como alguém sem perspectiva de vida. Claro que ainda tem aqueles que não fazem, mas um dia o médico vai cobrar”, acrescenta Silvia. Segundo ela, a Corpo Mania tem hoje uma média de 1300 alunos.

“O número crescente de academias e espaços para atividades físicas comprova que algo está mudando. E para melhor, eu acho. Nossa perspectiva de vida está aumentando. Se todos vão entrar nessa trend de ser saudável? Acho difícil, mas também acho difícil você experimentar a conquista da perda de peso, a definição dos músculos e não querer ficar por ali. Nem que seja para cumprir as metas feitas no Ano Novo”, finaliza.

Imagem ilustrativa. Foto: Imagem de prostooleh no Freepik

Recomendação da OMS

No último dia 06 de abril foi celebrado o Dia Mundial da Atividade Física. Uma data criada justamente para incentivar e, principalmente, conscientizar as pessoas sobre a importância de se exercitar. Se por um lado o número de matriculados em academias não para de subir, por outro o aumento da obesidade no Brasil preocupa as autoridades. As estatísticas indicam que um em cada três brasileiros vive com obesidade (31%) e 70% estão acima do peso considerado ideal. A má alimentação e o sedentarismo são os principais vilões. Ou seja, uma grande parcela da população ainda precisa aderir ao exercício físico como forma de combater o excesso de peso.

A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que que adultos pratiquem de 150 a 300 minutos de atividade física aeróbica moderada (ou 75-150 min de alta intensidade) por semana. Para crianças e adolescentes, a orientação é de pelo menos 60 minutos diários de atividade moderada a vigorosa. Exercícios de fortalecimento muscular são recomendados a todos, pelo menos 2 dias por semana.

Quem frequenta a academia sabe que além do aspecto físico, a musculação traz um benefício incalculável à saúde mental. “Eu costumo dizer que é muito melhor fazer academia do que tomar remédio”, diz Luis Carlos Franzoi, proprietário da Accademia, também no Centro de União da Vitória, que conta com cerca de mil alunos matriculados. As chances de desenvolver doenças como hipertensão, diabetes e o risco de sofrer infarto também diminuem com uma rotina de exercícios físicos. Soma-se a isso um sono com mais qualidade, uma autonomia maior quando alcançar à terceira idade, enfim, a lista de benefícios é extensa.

Opções não faltam no Vale do Iguaçu. Novas academias também estão prestes a abrir as portas, trazendo ainda mais alternativas para a população e aquecendo o setor.