Homem que ajudou menino em possível sequestro relata momentos de tensão
O que parecia ser uma tarde comum de panfletagem política terminou em momentos de tensão e preocupação para dois moradores de União da Vitória.
Luis Fernando Watambak e uma mulher identificada como dona Lúcia foram responsáveis por intervir em uma situação envolvendo um menino de 10 anos e um motorista que, segundo a família da criança, teria tentado sequestrá-la no bairro São Cristóvão.
Em entrevista ao Jornal O Comércio, Luis Fernando, que é técnico de manutenção e graduando em Filosofia, contou detalhes da abordagem, explicou como percebeu que algo estava errado e relatou os momentos que antecederam a intervenção.
O caso foi registrado na Rua Ralf Siegfried Waldraff, no Conjunto Bento Munhoz, e está sendo investigado pela Polícia Civil.
Panfletagem política terminou em intervenção
Segundo Luis Fernando, ele e dona Lúcia participavam de uma atividade de panfletagem quando perceberam uma movimentação suspeita.
O entrevistado contou que estava de um lado da rua, enquanto dona Lúcia distribuía materiais do outro lado. Em determinado momento, viu um menino saindo de uma residência e sendo abordado pelo motorista de um Ford Fiesta branco.
O homem teria solicitado informações sobre um endereço. A criança apontou uma direção e passou a caminhar, enquanto o motorista seguia lentamente com o veículo.
“Eu olhei, achei estranho e já comecei a observar. Não tirei o olho da situação. Entregava um panfleto numa casa e olhava, falava com alguém e olhava novamente”, relatou.
A preocupação aumentou quando os dois perceberam que o motorista continuava acompanhando a criança.
Motorista teria insistido para menino entrar no veículo
Luis Fernando contou que, ao se aproximarem, ele e dona Lúcia encontraram o garoto junto à porta do automóvel, que estava aberta.
Segundo o entrevistado, o motorista insistia para que a criança entrasse no carro.
“A gente viu que o menino estava na porta do carro e o homem estava insistindo para ele entrar, mas insistindo mesmo. Se não estou enganado, ele estava até tentando alcançar a criança”, afirmou.
Foi nesse momento que os dois decidiram intervir.
Luis Fernando atravessou a rua e se aproximou da criança, enquanto dona Lúcia questionou o motorista sobre sua atitude.
“Ela perguntou por que ele foi pedir informação para uma criança e não para um adulto, sendo que a gente estava ali. Ele poderia ter pedido informação para nós”, contou.
Após o questionamento, o motorista deixou o local.
Prioridade foi proteger a criança
Luis Fernando afirmou que, naquele momento, sua principal preocupação não foi registrar a placa do carro ou confrontar o motorista, mas garantir que o menino estivesse em segurança.
“Eu nem me preocupei em pegar a placa. Naquele momento, me preocupei mais com o menino”, explicou.
Depois da saída do veículo, os dois procuraram tranquilizar a criança.
“Eu acalmei ele, fiz carinho na cabeça e falei: ‘Olha, nunca mais fala com estranho. Vá para a tua casa agora, se acalme, está tudo bem'”, relembrou.
O garoto contou que a avó morava nas proximidades. Luis Fernando acompanhou a movimentação até perceber que ele havia entrado na residência e fechado a porta.
“Foi um susto tremendo. Ainda bem que a gente conseguiu intervir”, afirmou.
“A ficha só caiu depois que o pai me ligou”
Um dos momentos mais marcantes do relato foi quando Luis Fernando descreveu a sensação após o ocorrido.
Segundo ele, a dimensão do que poderia ter acontecido só foi percebida posteriormente, quando recebeu uma ligação do pai do menino.
O responsável agradeceu pela intervenção e informou que já havia comunicado a situação à polícia.
“A gente não se dá conta do que aconteceu. Pelo menos eu não me dei conta. Acho que dona Lúcia também não se deu conta de que a gente salvou a criança”, contou.
Luis Fernando afirmou que, depois de saber que o menino estava seguro, ficou impressionado com a situação que havia acabado de presenciar.
“Foi cair a ficha depois que o pai da criança me ligou. Pensei: ‘Caramba, isso realmente aconteceu. A gente conseguiu salvar a criança’. Nunca imaginei que isso ia acontecer”, relatou.
Testemunha ajudou na identificação do suspeito
Após o registro da ocorrência, Luis Fernando prestou depoimento à Polícia Civil e forneceu informações sobre as características físicas do motorista.
Segundo ele, tratava-se de um homem de aproximadamente 60 anos, negro, que utilizava óculos de grau, boné e camisa xadrez. A testemunha também mencionou características da dentição do motorista que poderiam auxiliar na identificação.
Luis Fernando afirmou que conseguiu observar o rosto do homem durante a abordagem e que suas informações contribuíram para o trabalho dos investigadores.
De acordo com o entrevistado, o homem apontado como suspeito já foi ouvido pela polícia. Essa informação, entretanto, ainda não havia sido confirmada oficialmente pelas autoridades até o fechamento desta reportagem.
O entrevistado também elogiou a atuação das forças de segurança durante a apuração.
“A Polícia Militar, junto com a Polícia Civil, foi muito hábil. Parabéns”, destacou.
Polícia Civil investiga o caso
Conforme divulgado anteriormente pelo Jornal O Comércio, o pai da criança procurou a Polícia Militar para registrar a ocorrência. Imagens de câmeras de segurança da região foram verificadas e encaminhadas à Polícia Civil, responsável pela investigação.
Na ocasião, o 27º Batalhão da Polícia Militar confirmou o registro de um boletim de ocorrência relacionado a uma possível tentativa de sequestro envolvendo uma criança.
A reportagem entrou em contato com a Polícia Civil para solicitar informações atualizadas sobre o andamento das investigações e a situação do homem mencionado no depoimento.
Até o fechamento desta reportagem, não havia sido divulgada uma manifestação oficial sobre a oitiva do suspeito ou eventuais medidas adotadas.
A abordagem relatada pelas testemunhas e pela família continua sendo objeto de investigação. A eventual responsabilidade criminal do motorista dependerá da apuração policial.
Para Luis Fernando, a experiência deixou uma lembrança difícil de esquecer e reforçou a importância de estar atento a situações que possam colocar crianças em risco.
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