Efeitos do El niño em debate
A Assembleia Legislativa do Paraná promoveu, na última segunda-feira, dia 13, a reunião de trabalho “El Niño no Paraná: prevenção, cenários e desafios”, reunindo especialistas e autoridades para discutir estratégias de prevenção e resposta a enchentes, alagamentos, enxurradas e deslizamentos provocados pelo fenômeno climático.
O coordenador executivo da Defesa Civil Estadual, coronel Ivan Ricardo Fernandes, destacou a importância do planejamento antecipado.
“Esse encontro de hoje (segunda-feira) é extremamente importante para mostrar à sociedade tudo aquilo que a Defesa Civil Estadual tem feito, em conjunto com os municípios, na preparação para o evento do El Niño”, afirmou. Segundo ele, “estão previstas chuvas de 60% a 80% acima da média esperada”, o que reforça a necessidade de ações preventivas e de planejamento diante do risco de inundações e alagamentos.
O coordenador de Operações do Simepar, Marco Antonio Rodrigues Jusevicius, explicou que o fenômeno vem sendo acompanhado há meses e que seu pico é esperado para a primavera.
“Toda e qualquer informação de situação meteorológica adversa é repassada à Defesa Civil, que emite o devido alerta”, ressaltou. Ele acrescentou que o monitoramento é contínuo e que os principais impactos esperados são alagamentos, enxurradas e inundações.
Já o presidente do Simepar, Paulo de Tarso de Lara Pires, orientou a população a buscar apenas informações oficiais. “Sabemos que será um evento forte, com aumento das chuvas e probabilidade de inundações, mas nada que precise ser desesperador ou apavorante”, destacou. Ele também informou que o órgão ampliará sua capacidade de monitoramento com a instalação de seis novos radares meteorológicos.
Previsão indica atenção para primavera e verão
Segundo a Nota Técnica Conjunta do Simepar e da Defesa Civil Estadual, existe 82% de probabilidade de desenvolvimento do El Niño durante o inverno, com intensidade entre moderada e forte. Para a primavera e o verão, a previsão aponta chuvas acima da média, aumentando o risco de enchentes, alagamentos, vendavais e deslizamentos, especialmente entre setembro e dezembro.
Na última década, o Paraná registrou aproximadamente 6 mil desastres naturais, que afetaram mais de 4,5 milhões de pessoas e provocaram cerca de R$ 32 bilhões em prejuízos.
Defesa Civil em alerta
Embora as projeções indiquem que União da Vitória poderá registrar impactos menos intensos do que outras regiões do Sul durante a atuação do El Niño, a Defesa Civil do Paraná alerta que o município permanece sob risco de alagamentos, inundações e deslizamentos, exigindo planejamento e monitoramento constantes.
Segundo o órgão estadual, bairros como Rocio, Navegantes, São Bernardo, Santa Rosa e áreas de encosta seguem entre os locais de maior atenção devido ao histórico de ocorrências.
A recomendação é que os moradores adotem medidas preventivas antes do período de chuvas mais frequentes, como manter calhas e ralos limpos, evitar o descarte irregular de lixo e realizar o cadastro para receber alertas da Defesa Civil pelo SMS 40199 ou pelo WhatsApp (61) 2034-4611.
Para quem vive em áreas sujeitas a inundações, a orientação é acompanhar a elevação do nível do Rio Iguaçu, retirar móveis e objetos de valor quando necessário e deixar a residência antes da interdição das vias, sempre seguindo as orientações da Defesa Civil Municipal, que mantém áreas de risco mapeadas e planos de remoção para abrigos temporários.
A Defesa Civil Estadual informou ainda que orientou União da Vitória na atualização do Plano de Contingência, com revisão das áreas prioritárias, cadastro de recursos para resposta a emergências e integração entre os órgãos envolvidos. O monitoramento das condições meteorológicas é realizado 24 horas por dia, com emissão de alertas sempre que há risco de agravamento.
Outro destaque é o projeto do Instituto Água e Terra (IAT) para o controle das cheias do Rio Iguaçu na região de União da Vitória. Estimado em cerca de R$ 1,3 bilhão, o empreendimento prevê intervenções como aprofundamento do leito do rio, melhorias na corredeira de Porto Vitória, alargamento de curvas, construção de canais, túneis e um dique de proteção para a área urbana.
A Defesa Civil reforça que, diante das mudanças climáticas, a prevenção deve ser permanente.
“Procuramos nos adaptar a essa nova dinâmica climática, tornando o Paraná mais resiliente. Esse processo envolve o poder público e a comunidade. Por isso, a cultura de prevenção deve ser contínua em todas as regiões para enfrentarmos da melhor maneira este e outros fenômenos que possam causar impactos no estado”, alertou.
União da Vitória reforça preparação para possíveis eventos extremos
Em União da Vitória, município historicamente afetado por cheias do Rio Iguaçu, a Defesa Civil mantém um trabalho permanente de prevenção e preparação para possíveis ocorrências climáticas.
O coordenador da Defesa Civil municipal, Robin Schmidt, explica que o trabalho envolve o monitoramento constante das condições meteorológicas, do nível do rio e de áreas consideradas de risco.
Segundo ele, a equipe acompanha os dados dos sistemas oficiais e também realiza vistorias em campo para identificar possíveis pontos de atenção relacionados a alagamentos, enxurradas e deslizamentos.
Paralelamente às ações da Defesa Civil, Schmidt destaca que o município vem executando obras de infraestrutura voltadas à redução dos impactos das chuvas. Entre as medidas estão a construção de novas galerias pluviais em pontos estratégicos da cidade, além da implantação de sistemas de drenagem e calçadas em todas as vias que recebem pavimentação. Também seguem sendo realizados serviços de limpeza de bueiros, bocas de lobo e das margens do Rio Iguaçu.
Schmidt ressalta o papel integrado das secretarias municipais com a entidade de segurança. “A Defesa Civil atua de forma integrada no planejamento, monitoramento e coordenação das ações de prevenção e resposta, garantindo que o município esteja preparado para agir sempre que necessário”, disse.
Plano de contingência foi atualizado
A Defesa Civil de União da Vitória também atualizou o Plano de Contingência do município, ampliando a organização das equipes para situações de emergência.
O documento estabelece protocolos de atuação desde o monitoramento inicial até o atendimento das famílias afetadas, com integração entre diferentes áreas da administração municipal.
Entre os avanços estão a ampliação da estrutura de abrigos, o fortalecimento da capacidade de atendimento às famílias, a definição de espaços para acolhimento de animais, a descentralização da distribuição de donativos por meio dos CRAS e a atuação conjunta das secretarias de Obras, Assistência Social, Saúde, Esporte e Cultura.
Além disso, a Defesa Civil adquiriu novos equipamentos para reforçar sua capacidade operacional.
O monitoramento do Rio Iguaçu, das condições meteorológicas e das áreas suscetíveis a riscos ocorre de forma permanente. Segundo o órgão municipal, União da Vitória conta atualmente com uma estrutura mais preparada para enfrentar eventuais ocorrências e garantir uma resposta mais rápida e coordenada à população.
Novos mapas redefinem as áreas de risco
O Plano de Contingência também apresenta um amplo diagnóstico das vulnerabilidades do município. O estudo considera a posição geográfica de União da Vitória na Bacia Hidrográfica do Médio Iguaçu, o relevo e o histórico de enchentes para identificar os locais mais suscetíveis a desastres naturais.
Como parte desse trabalho, o município atualizou o Plano Diretor em 2024, revisando as cotas de enchente e estabelecendo novos limites para construções em áreas sujeitas a inundações. A medida busca reduzir a exposição da população aos eventos extremos e orientar o crescimento urbano de forma mais segura.
O relatório utiliza estudos hidrológicos desenvolvidos pela Copel, que simulam diferentes cenários de inundação com tempos de recorrência de 5, 10, 25, 50 e 100 anos. Segundo a Defesa Civil, esses mapas permitem estimar quais regiões poderão ser atingidas conforme a elevação do nível do Rio Iguaçu, oferecendo uma base técnica para evacuações preventivas e planejamento urbano.
Bairro São Sebastião entra oficialmente no mapa de risco
Entre as atualizações mais relevantes está a inclusão do bairro São Sebastião como nova área oficial de risco.
O documento explica que a região não havia sido classificada pelo Serviço Geológico do Brasil em 2012, mas passou a apresentar elevado grau de vulnerabilidade após a enchente de 2014, situação agravada pelas chuvas intensas de 2023.
A Defesa Civil identificou encostas instáveis, possibilidade de corridas de massa e o comprometimento estrutural de um trecho da Rua Valdir João Zanetti, que apresenta colapso do leito viário e risco para moradores.
El Niño começa a influenciar o tempo em Santa Catarina com calor fora de época e temporais
Santa Catarina registra, a partir desta quinta-feira, 16, o primeiro evento meteorológico com influência direta do El Niño desde a confirmação do fenômeno, no início de junho. Segundo a Defesa Civil estadual, o estado deve ter calor fora de época nos próximos dias, seguido por chuva mais intensa no fim de semana.
Segundo os meteorologistas da instituição, ainda não é possível atribuir um evento isolado exclusivamente ao El Niño. No entanto, o cenário previsto passa a ter relação direta com os padrões atmosféricos historicamente associados ao fenômeno, o que marca o início de um período que exige acompanhamento mais próximo das previsões.
O primeiro sinal do novo padrão chega na forma de calor, a partir desta quinta-feira, prolongando-se até o início da próxima semana. As temperaturas devem subir de forma gradual e devem ficar acima dos 25°C na maioria das regiões, com máximas próximas aos 30°C no Oeste, no Litoral Sul e no Litoral Norte. Junto com o calor, o vento norte ganha força, com rajadas que podem superar os 60 km/h no Grande Oeste e nas regiões mais altas da Serra.
O aumento da temperatura, como aponta a Defesa Civil, deixa a atmosfera mais instável e favorece temporais isolados no Extremo Oeste e no Oeste catarinense entre quinta e sexta-feira, 17, quando a instabilidade mais significativa ainda se concentra no extremo sul do país. No fim de semana, a chegada de uma frente fria amplia o risco de temporais, que podem ser severos, especialmente no Grande Oeste e nas áreas de divisa com o Rio Grande do Sul.
O início da próxima semana mantém condições para chuva intensa no Sul do Brasil. Apesar das incertezas sobre a localização exata e a intensidade dos temporais, a Defesa Civil alerta para o potencial de destelhamentos, queda de árvores, alagamentos e enxurradas. Segundo os meteorologistas, episódios consecutivos de chuva intensa e tempestades estão previstos para o Sul do Brasil até o fim de julho, com maior concentração sobre o Rio Grande do Sul.
O que é o El Niño
O El Niño é o aquecimento anormal das águas do oceano Pacífico na faixa próxima ao Equador. Esse aquecimento altera a circulação dos ventos na atmosfera e modifica os padrões de chuva ao redor do mundo. O fenômeno oposto, de resfriamento das mesmas águas, é chamado La Niña.
Para ser confirmado, o El Niño precisa apresentar aquecimento de pelo menos 0,5°C acima da média histórica, por vários meses seguidos, com resposta compatível da atmosfera. Atualmente, a anomalia térmica está em +1,3°C, segundo dados do Centro de Previsões Climáticas da NOAA (CPC/NOAA), órgão que confirmou o fenômeno em junho.
Em anos de El Niño, o Sul do Brasil costuma ter temperaturas acima da média e maior frequência de ondas de calor, principalmente na primavera e no verão. Na região, o fenômeno também tende a deixar o tempo mais chuvoso do que o normal, com impactos mais significativos previstos para os próximos meses.
Defesa Civil recomenda
A Defesa Civil de Santa Catarina mantém o monitoramento contínuo das condições oceânicas e atmosféricas, em conjunto com a Epagri/Ciram e as instituições que integram o Fórum Climático Catarinense. O objetivo é acompanhar a evolução do fenômeno, atualizar as previsões e emitir avisos e alertas sempre que houver risco para a população. Diante disso, orienta que a população acompanhe os boletins meteorológicos, as previsões e os avisos oficiais da Defesa Civil, especialmente durante os períodos com previsão de chuva intensa e temporais.
Os avisos e alertas são enviados por SMS, pelo WhatsApp e pelo Defesa Civil Alerta (Cell Broadcast). Para recebê-los, basta enviar o CEP para o número 40199 por SMS ou para o número (61) 2034-4611 pelo WhatsApp. A instituição também recomenda que cada família elabore o Plano Emergencial Familiar.
Em situações de chuva intensa, a recomendação é nunca transitar por áreas alagadas, a pé ou de veículo. Em caso de sinais de deslizamento, como fendas no solo, muros estufados ou árvores com inclinação anormal, o contato com a Defesa Civil deve ser feito pelo telefone 199.




