ELEIÇÃO: A repercussão entre os prefeitos e presidentes das Câmaras de Vereadores
A reportagem do Jornal O Comércio conversou com os prefeitos e presidentes das Câmaras de Vereadores de União da Vitória e Porto União para colher a opinião deles a respeito das eleições.
Confira o que cada um disse:
Ary Carneiro Junior – prefeito de União da Vitória: A primeira coisa que precisa ser valorizada e respeitada é a decisão soberana da maioria da população brasileira que foi às urnas e que reelegeu o candidato Luiz Inácio Lula da Silva.
decisão é soberana e todos temos que respeitar essa posição, independente de siglas partidárias ou de tendências ideológicas, essa é minha opinião. Em relação à visão política, o que nós observamos é que nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, com exceção do estado de Minas Gerais, o candidato com tendência à direita foi o que teve maior número de votos, então em Minas o presidente teve a maioria, embora tenha sido bem próximo. Nas regiões Nordeste e Norte houve esmagadora votação para o presidente reeleito.
Eu desejo que ele faça um excelente governo porque a sociedade brasileira carece de muita coisa e, especialmente, os municípios hoje estão num gargalo muito grande porque muitas atribuições que eram do governo federal e do governo estadual hoje estão arcados pelos municípios brasileiros, e aqui não é diferente. União da Vitória seguiu o padrão do Sul do país, respeita-se à urna e como é eleição nacional, temos que respeitar a decisão da maioria da população brasileira. Nós somos uma unidade e ela não deve ser quebrada em nenhum momento.
O que precisamos fazer é trabalhar muito para que o Brasil avance e melhore a cada dia. Expressamos aqui o desejo de que esse mandato do presidente Lula venha com muito sucesso e principalmente com o fortalecimento dos municípios, que hoje pedem socorro, pedem que o governo federal, principalmente, ele repasse os valores necessários para dar suporte aos programas que ele mesmo cria em Brasília. Os estados e os municípios recebem os programas criados em Brasília, então que eles deem suporte a isso que eles criam de despesas para que possamos atender bem a população.
Juliano Hassan – prefeito de Porto União: Porto União confirmou o apoio incondicional à reeleição de Jorginho Mello, estamos muito felizes com este resultado porque daremos continuidade aos trabalhos em execução e aos projetos em parceria com o governo do Estado. E também com os nossos deputados eleitos.
Já a nível nacional nós respeitamos a vontade popular, mas precisamos de esclarecimentos, precisamos de algumas respostas pelos órgãos competentes, principalmente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Nunca tivemos nesse país interferência de órgãos externos no resultado de uma eleição, nunca tivemos uma prorrogação após o período legal, regulamentado por lei e nós precisamos que essas questões sejam esclarecidas com ética, transparência e responsabilidade porque nós temos que pacificar esse país. Nós continuaremos atendendo independente de governos, de partidos políticos, de diferenças ideológicas, religiosas, partidárias ou esportivas porque a nossa função é continuar fazendo o bem a todos, sem diferenças. Precisamos, de fato, pacificar esse país e dar o nosso melhor para nossa cidade, nossa região, continuarmos trabalhando em conjunto com o Estado e respeitando a vontade de todos.
Cordovan de Melo Neto – presidente da Câmara de Vereadores de União da Vitória: Acredito que esse seja um momento de reflexão sobre o futuro do nosso país. União da Vitória, o Paraná, toda a região do Sul do Brasil deram um recado muito claro nas urnas. Nós gostaríamos da mudança, a população mostrou que não está nada satisfeita com o rumo que o país está tomando e não podemos continuar do jeito que estamos.
Queremos um Brasil que valorize a família, os bons costumes, os princípios que a gente sempre defendeu. Queremos um país que respeite quem realmente trabalha, que incentive o empreendedorismo, que valorize aqueles que movimentam a nossa economia de fato. Essa é uma visão de país que eu defendo e que não abro mão. Eu não posso deixar de manifestar a minha preocupação com algumas situações que ocorreram no domingo, especialmente quando a gente fala da prorrogação da votação até às 19 horas, a interrupção temporária da apuração dos votos, eu acredito que essas situações precisam ser esclarecidas com total transparência, afinal questionar não é ser contra a democracia, bem pelo contrário, a transparência é fundamental para garantir a lisura de todo o processo eleitoral.
Como presidente da Câmara eu tenho consciência das responsabilidades das minhas palavras, respeito plenamente o resultado das urnas, mas também gostaria de deixar claro que isso não significa abrir mão das nossas convicções, princípios e valores. Eleição passou, mas tenho compromisso com o cidadão de bem, vamos ter que continuar mais quatro anos com esse governo. Espero que o governo tenha um pouco mais de responsabilidade, que consiga fortalecer a nossa economia e que trabalhe pelo bem de todos os brasileiros. Se o Brasil quis a continuidade desse governo, que Deus nos ilumine daqui para frente e que o governo pense e mude o sistema de como estava conduzindo a nossa nação.
Sandro Calikoski – presidente da Câmara de Vereadores de Porto União: Eu, como já participei de tantas eleições, seja como candidato ou coordenador de campanhas ou apenas pedindo votos, a gente viu uma eleição onde o presidente que se reelegeu, perdeu no primeiro turno porque acreditava que estava tudo certo.
Flávio Bolsonaro fez uma campanha intensa e acabou levando o primeiro turno. O que acontece na minha visão é que o presidente Lula e sua equipe viram que era necessário trocar algumas peças de coordenação de campanha e trabalharam intensamente para reverter a eleição. Já a extrema-direita e a direita só procuraram fazer críticas ao mandato do presidente Lula e fazer alguns deboches. Quero dizer que a população demonstrou que não aceita mais extremismo. A eleição tem que ser feita em um trabalho de convencimento e não críticas, isso já está provado e comprovado. Eu tinha quase certeza quando saiu o primeiro turno de que teríamos uma troca de presidente e que a direita iria assumir o país. Na minha visão isso seria o melhor para o Brasil, mas a população brasileira não entendeu assim na grande maioria e o que aconteceu foi que no debate, no último deles, na Rede Globo, eu vi na íntegra e percebi que o presidente Lula se saiu melhor e algumas palavras foram mal colocadas pelo então candidato Flávio Bolsonaro. Isso não pegou bem perante a população. E os seus aliados, os mais fortes, de Minas, São Paulo e Rio, trabalharam mais na crítica do que no convencimento de pedir votos.
Então está provado que as coisas mudaram no Brasil e que o eleitor quer uma campanha de propostas. Embora o presidente Lula também tenha feito muitas críticas, mas não foram tão contundentes quanto às críticas da direita, as brincadeiras, os deboches… isso a população não aceita mais. Eu vejo que a eleição foi válida, não temos o que fazer, em janeiro ele assume seu quarto mandato e o povo brasileiro vai esperar as próximas eleições. Espero que a direita se organize, que esse extremismo que existe termine e que realmente nós tenhamos um presidente à altura do Brasil. Não estou dizendo que Lula não está, mas eu vejo que uma mudança nesse momento seria salutar ao povo brasileiro. Infelizmente isso não aconteceu e na minha visão foi por prepotência de alguns extremistas de direita que se elegeram a senador, deputado e governadores muitos deles, principalmente na região de Minas, São Paulo e Rio.
A direita tinha um candidato à altura para ganhar a eleição, que era o Tarcísio de Freitas (governador reeleito em São Paulo), mas a família Bolsonaro se preocupou em colocar um candidato da família e não se preocupou em eleger um presidente de verdade que na minha visão seria o Tarcísio. Infelizmente aqueles que se sentiram perdedores terão que aceitar a derrota e os que ganharam terão que cobrar como nós vamos cobrar ações e que o país se alinhe e entre no caminho da prosperidade que é o que todos os brasileiros desejam.



